quarta-feira, 6 de março de 2013

Experiência da Prisão de Stanford (1971)




Em 1971 um grupo de psicólogos sociais, liderados por Philip Zimbardo levou a cabo uma experiência que ficou conhecida como a Experiência da Prisão de Stanford.
A experiência consistiu na simulação de uma prisão em que os papéis de guardas prisionais e de prisioneiros foram atribuídos a estudantes voluntários, com características psicológicas semelhantes e que visava estudar os efeitos psicológicos da vida numa prisão.

Previa-se uma duração de quinze dias e, segundo as regras, quem quisesse poderia abandonar a experiência a todo o momento.

Apesar das regras bem definidas e de todos os participantes saberem que se tratava de uma simulação da realidade e de um estudo científico, a verdade é que a experiência foi interrompida ao fim do sexto dia, porque os participantes começaram a viver com total entrega e intensidade os seus papéis, confundindo a representação com a realidade vivida e identificando-se com os personagens que encarnavam.

Alguns "guardas" tornaram-se especialmente violentos, abusaram da autoridade que lhes havia sido concedida e humilharam os seus "prisioneiros", deixando mesmo de cumprir as regras da "prisão".

Por seu lado, os "prisioneiros" foram-se tornando submissos, obedecendo gradualmente às ordens mais absurdas.


1. 24 homens entre 18 e 24 anos foram seleccionados e divididos em dois grupos: guardas e prisioneiros.
2. Os prisioneiros foram levados a uma esquadra real, fechados e recolhidos numa prisão construída no laboratório de psicologia
3. Lá, eles foram revistados, uniformizados e colocados em celas, onde eram vigiados e punidos pelos guardas
4. Revoltados pelo tratamento, os prisioneiros revoltam-se. Os guardas  acabam por usar a violência para acabar com a rebelião. Um dos prisioneiros dá sinais de esgotamento e tem que ser solto. Aumentam os castigos e tarefas humilhantes
5. O comportamento dos guardas torna-se cada vez mais agressivo. Três prisioneiros têm colapsos. A experiência prevista para 15 dias acaba no sexto
Ilustrações: Edivaldo Serralheiro
Fonte: http://psicologiaexperimental.blogs.sapo.pt/2641.html


1 comentário:

  1. Comentário:

    "Dentro de cada um de nós há um conformista e um totalitário, e não é preciso muito mais do que o uniforme certo para que ele venha à tona".

    Através desta experiência conseguimos ter uma percepção daquilo que o ser humano é capaz de fazer em relação ao seu semelhante, em situação de excesso de poder, mesmo tendo sido apenas uma experiência com voluntários estudantes, os que estavam na posição de guardas prisionais no momento em que encarnaram a personagem a sua atitude para com os restantes colegas mudou drasticamente, esqueceram que apenas se tratava de uma experiência e que estavam a dar ordens aos seus colegas, mais importante, esqueceram que estavam a dar ordens a PESSOAS. A verdade é que não conseguiram separar a realidade da ficção o que teve graves consequências para os estudantes que estavam no papel de prisioneiros. Estes que também perderam a total consciência do que se estava a passar, até ao ponto de se submeterem a situações prejudiciais à sua saúde física e mental.
    Segundo alguns autores, o poder não muda as pessoas, apenas revela e potencializa os seus defeitos e a sua verdadeira personalidade, que tendem a camuflar.
    Se queremos conhecer profundamente uma pessoa devemos dar-lhe poder total?
    Será uma característica comum a todas as pessoas? Mudarem de personalidade aquando da aquisição de poder?
    A questão que deixamos em aberto é a seguinte:
    E vocês, até que ponto iriam se não tivessem limites ao poder? Conseguiriam separar a realidade da ficção?

    "O poder torna as pessoas estúpidas e muito poder, torna-as estupidíssimas." (R. Kurz)

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