segunda-feira, 11 de março de 2013

Experiência Milgram

Stanley Milgram (1933 - 1984) foi um psicólogo norte-americano  graduado da Universidade de Yale que conduziu a experiência dos pequemos mundos (a fonte do conceito dos seis graus de separação) e a Experiência de Milgram sobre a obediência à autoridade.


Esta experiência tinha como objectivo o estudo das reacções individuais face a indicações concretas de outros. A obediência era medida através das acções manifestas e implicava comportamentos fonte de sofrimento para outros.
Experiência:

1 Um voluntário apresentava-se para participar na experiência, sem saber que seria avaliado na sua capacidade de obedecer a ordens. Era colocado no comando de uma falsa máquina de infligir choques;
Os sujeitos eram
encarregues num suposto papel de “professor” numa experiência sobre “aprendizagem”.
2 A máquina estava ligada ao corpo de um homem mais velho e afável, que era submetido à uma entrevista numa sala ao lado. O voluntário podia ver o homem mais velho, mas não era visto por ele;
3 O voluntário era instruído por um investigador a accionar a máquina de choques todas as vezes que a pessoa errava uma resposta. A intensidade dos choques aumentava supostamente 15 volts por cada erro cometido, desde 15 (marcado na máquina como “choque ligeiro”) até
450 volts (marcado na máquina como“perigo: choque severo”);
4 À medida que a intensidade dos choques aumentava a pessoa queixava-se cada vez mais até que se recusa a responder;
O experimentador ordena ao sujeito para continuar a administrar choques.”Você não tem alternativa, tem que continuar”;
Ilustrações: Edivaldo Serralheiro
Mesmo vendo o sofrimento, a maior parte dos voluntários continuava obedecendo às ordens e infligindo choques cada vez maiores. A intensidade máxima, 450 v, significaria hipoteticamente matar a outra pessoa. 65% das pessoas obedeceram às ordens até o fim e deram o choque pretensamente fatal.
Variações no procedimento Milgram (1974):

Variações no procedimento Milgram (1974):
  1. Proximidade da vítima:
  • Se a vítima só podia ser ouvida, 65% dos sujeitos iam até ao limite.
  • Se houvesse contacto visual a percentagem baixava. Contudo, mesmo quando os sujeitos eram eles próprios a manter a mão do aprendiz sobre uma placa metálica, 30% iam até aos 450 volts.
  • Quando o experimentador dava as instruções pelo telefone só 20.5% continuavam a obedecer;
  • Quando a experiência era conduzida num edifício normal de escritórios a obediência caiu para 48%;
  • Se estivesse presente um segundo sujeito que obedecia, a obediência chegava aos 92%. Se o outro recusava, somente 10% dos sujeitos chega aos 450V.
As opções metodológicas deste estudo levantaram alguns problemas do ponto de vista ético pois podemos questionar-nos se  seria legitimo induzir os sujeitos experimentais em erro numa questão tão delicada quanto esta. Quem efectivamente acabava por sofrer algum dano era o sujeito "agressor" que podia ficar afectado psicologicamente por ter sido levado a pensar que tinha provocado sofrimento a outra pessoa.


        1.  Proximidade da figura de autoridade:
        2.  Legitimidade da autoridade:
        3.  Influências sociais:
Fonte: http://psicologiaexperimental.blogs.sapo.pt/2059.html


1 comentário:

  1. Reflexão:
    A experiência do psicólogo norte- americano Stanley Milgran demonstra que a obediência varia ­de acordo com as autoridades a que os indivíduos estão sujeitos.
    Tendo em conta a sua experiência em que um investigador atribuía aos seus voluntários o papel de “professor” e “aluno”, sendo que o professor era encarregue de infligir choques eléctricos ao aluno sempre que este falhasse uma resposta, Milgran verificou que o “professor” sempre que era ordenado a dar um choque dava independentemente do suposto sofrimento dos “alunos”. O “professor” sabia que a voltagem dos choques eléctricos variava à medida que o “aluno” falhava as respostas, indo de choque leve, a choque perigoso. O “aluno”, recebia o choque sempre da mesma voltagem, no entanto era instruído para demonstrar que estaria a sofrer cada vez mais.
    Com esta experiência foi possível verificar que uma maioria dos “professores”, quando ordenados pelo investigador, dava o choque, independentemente do sofrimento demonstrado pelo “aluno”.
    No entanto, foi possível verificar que existem alguns condicionantes dos “professores” em relação à obediência por partes destes ao investigador. Esses condicionantes são: a proximidade da vítima; a proximidade da figura de autoridade; a legitimidade da autoridade; e as influências sociais.
    A proximidade da vítima está relacionada com o contacto visual com a vítima, uma vez que quando os “professores” conseguiam ver o sofrimento provocado nos “alunos”, uma menor percentagem de “professores” infligia os choques de maior voltagem.
    A proximidade da figura da autoridade, reflecte-se essencialmente na forma de como são dadas as ordens ao “professor”, pois quando as ordens eram dadas por telefone, ou seja, não existindo contacto directo também uma menor percentagem de “professores” infligia os choques de maior voltagem.
    A legitimidade da autoridade, diz respeito ao tipo de edifícios em que era feita a experiência tendo-se observado que o número de “professores” a obedecer diminuiu quando o experiência foi realizada num edifício tradicional de escritórios.
    Por último as influencias sociais relacionam-se com a influência de um outro voluntário, isto é, se um voluntário obedecesse, o outro também obedecia, se pelo contrário algum dos voluntários recusasse, o número de voluntários a administrar o choque de maior voltagem reduzia bastante.
    Dito isto, pode-se concluir que o factor do poder está em muito relacionado com a presença de sujeito detentor do poder. O que na nossa perspectiva se traduz numa maior obediência por parte do “professor” quando as ordens não são dadas telefonicamente. No entanto também se ressalva o facto de mesmo sabendo que estariam a provocar muito sofrimento, os “professores” continuavam a infligir os choques eléctricos até à descarga máxima, quando ordenados. Um outro ponto muito importante, na nossa perspectiva é facto das influências sociais, uma vez que sempre que alguém se recusava a administrar os choques, os números de recusas da aplicação do choque eléctrico máximo diminuía muito.
    Na nossa opinião, esta experiência vem demonstrar, que ainda existe uma clara submissão ao poder por parte do submisso, isto é, independentemente das consequências das ordens o submisso continua a obedecer demonstrando um certo receio por quem ordena.

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